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Tratar um paciente com varizes 

                                        

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Antes de abordar este tema devemos distinguir duas situações:

bullet Uma é curar a doença
bullet Outra é tratar as manifestações da doença

O ideal para um paciente é que a sua doença seja curada, o que acontece raramente pois o que conseguimos  na grande maioria dos casos é equilibrar um doente: assim, equilibramos uma hipertensão arterial, equilibramos uma diabetes, equilibramos uma insuficiência cardíaca, uma insuficiência renal, uma insuficiência hepática, uma bronquite crónica, etc. etc. etc. ...

Conseguimos curar as infecções, os problemas que depois de operados restauram o estado físico normal,  como uma apendicite aguda, um mioma uterino, por exemplo. Portanto sejamos modestos: nós médicos,  conseguimos curar poucas doenças.

Agora vejamos o que se passa com a insuficiência venosa cuja manifestação são as varizes: nós não sabemos curar a doença da parede da veia! Não temos medicamento algum  que consiga restaurar o funcionamento normal da parede ou das válvulas de uma veia. Por mais medicamentos "venotónicos" que se dêem a um paciente, a doença permanecerá e continuará a evoluir pois infelizmente ela é crónica e evolutiva.

Resta-nos portanto tentar solucionar as manifestações desta doença para que o paciente possa ter uma vida normal e agradável, sem úlceras, sem edemas, sem dores nos membros inferiores com um aspecto estético o melhor possível.

Se o sistema venoso superficial não é idêntico em todos nós, e se, como vimos, o membro inferior direito não é exactamente igual ao esquerdo, é fácil compreender que as manifestações desta doença sejam ainda mais variadas e não encontramos dois doentes iguais!

Pela lógica, como podemos então tratar todos os doentes de um mesmo modo se eles são todos diferentes? Como é possível que ainda hoje se diga "corta-se em cima, corta-se em baixo e arranca-se a veia" ? Qual veia? Um doente tem tantas!!! Claro que o que se arranca habitualmente é a veia safena interna, exactamente o principal colector venoso superficial (que em inúmeros casos nem é a causa das varizes): isto é o chamado stripping. E podemos perguntar, aos defensores desta destruição, o que seria das suas casas se a Câmara decidisse retirar o colector de esgotos da rua: quando algum tiver uma resposta que não seja a "fossa séptica" estaremos de acordo com o stripping.

O que podemos então fazer para ajudar estes doentes?      

            

  bullet O primeiro passo no tratamento será o de saber se o doente necessita realmente de cirurgia porque nem todos ficarão melhor depois de serem operados (os tipos de tratamento não cirúrgico serão descritos posteriormente).
  bullet O segundo será o de escolher o tipo de cirurgia
   
 

Se na nossa perspectiva existe um só tipo de cirurgia que pode beneficiar estes pacientes, a cura CHIVA,  para a maioria dos cirurgiões, o único método de tratamento será o de extrair a veia safena interna (stripping) laqueando todas as veias perfurantes visíveis - o paciente fica assim com o sistema venoso superficial completamente destruído e com as entradas para as veias profundas fechadas (perfurantes laqueadas). A drenagem da pele e tecido celular subcutâneo não consegue fazer-se correctamente  e rapidamente aparece uma recidiva anárquica. Muito dificilmente os ramos de uma safena conseguirão encontrar caminho directo para o sistema venoso profundo pois foram programados para drenar na safena (no sistema venoso existe uma hierarquia muito semelhante à que existe nos rios de um país - cada rio tem os seus afluentes e estes estão programados para drenar no rio a que pertencem e não no mar).

Recidiva anárquica post-stripping

   

 

 

 

 

 

 

Ao efectuarmos  a cura CHIVA (baseada no estudo hemodinâmico que referimos na página "como estudar o doente") vamos dirigir a corrente sanguínea dos segmentos não drenantes para as veias que estão a drenar correctamente, do sistema venoso superficial para o profundo. Desviamos assim a corrente sanguínea para as boas veias.  É um trabalho semelhante ao do engenheiro hidráulico quando deve drenar um terreno pantanoso para o tornar cultivável.

Sendo impossível, no estado dos nossos conhecimentos, corrigir o sentido do fluxo numa veia insuficiente, ou reparar uma válvula incontinente, resta-nos, para ajudar o paciente, encontrar o ponto em que este fluxo sanguíneo consegue atingir o sistema venoso profundo - este ponto chamamos de reentrada e num paciente existem normalmente vários.

E se é uma reentrada é porque em algum sítio houve uma fuga, como uma torneira que não veda - chamamos a este ponto o ponto de fuga

 

 

          

Podemos então, pela lógica, definir as

BASES DA ESTRATÉGIA CHIVA

bullet Eliminar os pontos de fuga.
bullet Fragmentar a coluna de pressão, segmentando a veia.
bullet Preservar as perfurantes de reentrada (tão necessárias à drenagem)
bullet Suprimir a rede terciária (R3) ou quaternária (R4) não drenada.

Sendo este site meramente informativo e não um curso post-graduado, restringir-nos-emos a estas noções básicas sem entrar em detalhes demasiado complexos como o da classificação dos diferentes tipos de shunt.

Os interessados em aprofundar este assunto poderão encontrar uma publicação muito acessível, em espanhol

    

 

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