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Sem querer desvalorizar o exame médico com todas as manobras e testes que
nos foram ensinados quando frequentámos a Faculdade de Medicina e
posteriormente o Internato, o estudo do doente com varizes faz-se hoje pelo
exame eco-doppler.
Depois de 18 anos de prática de eco-doppler e mais de 20000 doentes
estudados, permito-me tecer algumas considerações sobre como deve ser
efectuado este exame. |
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O que é
então um eco-doppler. por vezes chamado de "triplex" (pois associa imagem +
doppler + cor)? |
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É um exame que nos dá a imagem das veias como uma ecografia mas também
nos informa sobre a direcção e velocidade da corrente sanguínea pelo doppler
e pela cor. |
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Digamos desde já que a
velocidade do sangue
nas veias
não tem interesse para o estudo das varizes
pois o fluxo é lento e só com manobras de compressão/relaxamento, por
exemplo podemos pôr em evidência alguma velocidade a qual dependerá da força
da nossa mão ao comprimir. |
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Mas por outro lado a
imagem da parede da veia
também tem pouco interesse no estudo do doente
- não modifica em nada o tipo de tratamento.
Resta-nos portanto a
direcção da
corrente sanguínea e esta sim
é de importância primordial, pois é pela direcção que diagnosticamos as veias
cujas válvulas são insuficientes.
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Em resumo. o trabalho do eco-dopplerista é muito parecido com o do
engenheiro hidráulico: |
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Depois de estudar o
doente ele deve informar no relatório |
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A razão da má
drenagem venosa |
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A rede venosa
patológica |
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As possibilidades
que existem de restaurar a drenagem |
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Assim este exame DEVE ser feito por quem tenha conhecimentos de hemodinâmica
(estudo da circulação do sangue) pois como vimos a imagem das veias não é
suficiente.
Além disso é absolutamente necessária uma cartografia (como um "mapa de
rios") para que o estado venoso do doente seja compreensível e se possa
delinear uma estratégia cirúrgica. |
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O Eco-doppler é um exame de
hemodinâmica como a maioria dos exames cardio-vasculares e não um exame de
imageologia:
NÃO é uma Ecografia!
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Quem deve fazer o eco-doppler? |
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Este é um
grande problema. Em muitos países, como a França por exemplo, é o
cardiologista que estuda as artérias e as veias e é ele que faz o tratamento
médico destes doentes. As especialidades cirúrgicas ligadas à cardiologia
são a cirurgia cardíaca e a cirurgia vascular. Existem ainda os
flebologistas e os angiologistas que não são especialistas mas clínicos
gerais com "competências" (estudos
post-graduados). Os angeologistas também aprendem a fazer eco-doppler.
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No nosso País os
cardiologistas dedicam-se ao coração e aos cirurgiões vasculares compete operar, o
que é um trabalho imenso. Assim, o eco-doppler tornou-se
"terra de ninguém"
e na falta de quem os faça, os radiologistas, que têm os aparelhos, estão a tentar
executar estes
exames... não têm porém a formação básica de hemodinâmica que os cardiologistas têm
e o exame venoso nem sempre corresponde ao que deveria ser! |
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É um exame difícil de fazer e
sobretudo de interpretar pois os dados fornecidos pelo aparelho devem ser
interpretados segundo as leis da hemodinâmica porque: |
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Existem
veias insuficientes mas sem ectasia (dilatação) porque drenam correctamente nas
perfurantes |
Existem
veias dilatadas mas continentes porque debitam demais |
Existem
veias sem insuficiência franca, sem ectasia, mas com fragilidade valvular
que por vezes só se manifesta durante o Verão, durante o calor. |
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Para complicar ainda mais, o
estudo das veias, ao contrário do das artérias, deve ser efectuado
em posição de pé, com a sonda perpendicular ao
comprimento da veia (corte transversal) mas a cartografia é desenhada no
sentido do comprimento (corte longitudinal)... |
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Depois do exame
efectuado, além das usuais fotografias, haverá a cartografia que se
apresenta assim, por exemplo |
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