Não conhecemos, infelizmente, a
etiologia das telangiectasias, mas de certo sãodevidas a uma má drenagem
capilar da pele para o tecido celular sub-cutâneo. . Sabemos que são agravadas pela medicação
anticoncepcional, pelo tratamento hormonal substitutivo na menopausa, pelo
trabalho em ortostatismo estático prolongado, por uma predisposição
familiar e pela exposição ao calor.
Se em alguns pacientes são
assintomáticas, em muitas pessoas esta situação acompanha-se de dores tipo
"sensação de peso" nos membros inferiores, sobretudo ao fim de um dia de
trabalho.
O problema estético é importante
e leva os pacientes a procurar um médico que saiba resolver o problema.
O tratamento é feito sobretudo por
escleroterapia, chamada frequentemente "secagem". Consiste na injecção
intra-capilar de um produto agressivo para a parede deste, que conduz à
sua oclusão e reabsorção. Apesar de parecer fácil, a
escleroterapia não é fácil de efectuar, não é bem descrita nos livros de
angiologia ou flebologia e reveste-se de muitos "segredos" que passam de
mestre para discípulo como os de algumas artes artesanais que passam de pais
para filhos.
Efectuada com má técnica e
dependendo do produto utilizado, a escleroterapia pode provocar lesões
graves do tipo necrótico com cicatrizes ou manchas escuras que permanecerão
para sempre.
A maioria dos produtos provocam
hiper pigmentação quando expostos aos raios ultravioletas pelo que não devem
ser administrados no Verão (é o caso do "aetoxysclerol", o mais
frequentemente usado). O "sclérémo" não tem este inconveniente podendo ser
utilizado durante os meses de calor. Estes produtos não estão disponíveis
para venda em Portugal.
O Laser é uma nova técnica que no
início trouxe grandes esperanças ao tratamento destas lesões. Verificou-se
ràpidamente que é ineficaz na maioria dos casos, sobretudo nas
telangiectasias mais volumosas e azuis. Utilizado com má técnica pode
provocar queimaduras graves. Em mãos experientes é uma arma muito útil para
as pequenas telangiectasias vermelhas, sobretudo as resistentes à
escleroterapia e que frequentemente são alimentadas por arteríolas - isto
porque a pressão arteriolar dilui o produto esclerosante impedindo-o de
actuar (esta pressão não tem influência sobre a técnica de laser). NUNCA
deve ser utilizado sem crio terapia prévia (aplicação de frio) .
A varicose reticular consiste em
um retículo grosseiro de vénulas azuladas que atingem ou
ultrapassam os 2 mm de diâmetro. Coexiste frequentemente com as
telangiectasias. O seu tratamento é feito também por escleroterapia sendo o
laser completamente ineficaz nesta situação.
Tanto a varicose reticular como as
telangiectasias são uma entidade diferente da doença das veias superficiais
e não devem ser consideradas como sendo um primeiro estádio da doença
varicosa.